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domingo, 8 de junho de 2014

Capins dourados

Pisquei assustado sem acreditar no que via.
Estava diante de um tapete de concreto, que irradia um calor insuportável.
A ambição desumana o ser.
Loucos por dinheiro aniquilaram o tapete farto de folhas e flores que costumava-se ver ali.
Tudo era concreto. O mundo estava cinza. Sentia-me perdido numa selva de pedra e não conseguia me acostumar com a ideia de ver o ar que respirava.
A ultima faixa de vida que existia ali havia sido extinta sem nenhum remorso e o vento trazia apenas um sopro quente e seco.
Era a imagem infértil do deserto...

Sentia saudades dos capins dourados, que viram comigo tantos pores-do-sol.
Estava desolado diante daquele retrato, que refletia a ambição dos homens. Homens esses, que levaram consigo meus companheiros de todas as tardes...
O sol deitava-se rapidamente sobre o horizonte, ele também lamentava a existência daquele tapete ali...
E o brilho fraco que emanava, reforçava ainda mais a sua tristeza, mas antes de desaparecer além do horizonte um raio de luz atingiu aquela imensidão cinza e então eu vi: Um fio de capim dourado.
Era a natureza, lutando contra a ambição do ser...
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