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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

As crônicas do amor : O Velho e o Moço

Eles eram lindos.
De alguma forma eles se completavam e era notável a alegria daquele casal que caminhava de mãos dadas.
Eu já havia visto inúmeros casais assim: felizes, perfeitos e que se completavam.
Mas eles tinham um diferencial, ou melhor, ele tinha um diferencial. Que apenas as pessoas mais atentas e experientes poderiam notar.
Seria ela capaz disso?
A rua estava deserta e eles pareciam não ter me notado ali, mas quem teria?
Me aproximo e os espanto ao surgir em seu campo de visão sem nenhum aviso.
-Pois não? - Perguntou ele desarmando sua posição ofensiva ao constatar que eu era apenas um velho.
O ignoro, pois já o conhecia bem. Minhas atenções estavam voltadas para aquela iris dilatada e multicolorida daquela garota que me encarava. Com certeza mil pensamentos passavam pela sua mente naquele momento, mas o que me preocupava não era o que ela era capaz de pensar e sim o que ela não era. Seus olhos eram incapazes de enxergar certas coisas.
-Desculpe, de longe vocês se pareciam com um casal que conheci. - Digo tentando não ser absorvido pela minha constatação.
- Que casal? - Pergunta ele de impulso e então o encaro.

Os olhos daquele garoto, assim como os meus, eram monocromáticos , porém, uma infinidade de cores se escondia por de trás daquela iris cor madeira tão expressivos.
Eu acabava de encontrar mais um homem de lata.
- Era um casal muito feliz, isso é o que importa. - Respondo percebendo sua expressão ao notar o tempo verbal da minha frase.
Meus olhos recaem mais uma vez sobre aquela garota e a presentei-o com um flor amarela.
-É importante que as mãos nunca se soltem. - Aconselho antes de dobrar a esquina e ir embora.
Antes de sumir completamente vejo a expressão de ambos e reparo, que assim como eu, aquele garoto havia entendido o que aquele velho homem de lata, que me procurou a tantos anos atrás, quis dizer com as palavras que eu acabara de pronunciar.
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